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Por Elayne Diniz em 21 de abril de 2013

Marcello Rawashy coreógrafo da Banda Magníficos

Coreógrafo, bailarino e produtor

O Portal Mídia 10 entrevistou um dos maiores bailarinos e coreógrafos da atualidade, no segmento Forró. Marcello Rawashy conversou com a gente, falou um pouco sobre a sua vida profissional e pessoal.

Acompanhe a entrevista:

Marcello Rawashy coreógrafo da Banda Magníficos

 

 

 

 

 

 

 

 

PM10 – Como você descobriu que tinha nascido para a dança? Como foram seus primeiros passos?

MR – Na verdade, eu dançava em bairros, quadrilha de São João e comecei a brincar com dança, participei também de grupo de animação de festa e eu fazia um número com a minha irmã dançando lambada. Com isso fui me identificando, o primeiro ritmo que eu dancei foi lambada. Como eu era muito novo, com mais ou menos seis anos de idade e era uma dança proibida, o pessoal ficava surpreso por eu estar dançando esse ritmo.

PM10 – Você enfrentou dificuldades para iniciar, houve objeção de família, críticas que fizeram com que você pensasse se era realmente isso que você queria e se valeria à pena?

MR – Teve um momento que sim, pois a dança se você não se interessar pra se destacar nesse meio, você acaba se perdendo e pode atrapalhar até sua vida. Teve um momento que a minha família percebeu que poderia atrapalhar os estudos, eu comecei a dar aula muito novo e estava tão envolvido com a dança que chegava a faltar o colégio pra ir dar aula de dança. Foi então que minha mãe tentou proibir, inclusive quando eu fazia parte do grupo, sempre me apresentava e não recebia nada e minha mãe achou exploração por eu, junto com minha irmã, duas crianças ser atração de um evento e não ter nenhuma remuneração.

PM10 – Em algum momento da vida pensou em desistir?

MR – O pensamento de desistir veio quando fui entrar em banda, pois alguns donos de banda, ou melhor, quase todos procuram sempre primeiro as mulheres e pra encontrar uma parceira era difícil, e então parei. Quando menos esperei, me ligaram e recebi a proposta pra dançar em uma banda que foi Walkyria Santos que estava em carreira solo na época.

PM10 – Na família, tem mais alguém que seguiu a carreira artística ou só você mesmo?

MR – Minhas irmãs dançavam comigo, inicialmente a mais velha, depois passei a dançar com a mais nova, as duas começaram a ser modelo e eu continuei na dança. Minhas tias também dançavam e uns primos tinha grupo de dança de rua.

PM10 – Qual a sua música preferida?

MR – Tem uma que eu não esqueço e acho que todos os meus amigos sabem que é ‘And I’m Telling You’ de Jeniffer Holliday que tem uma história linda, era de um musical da Broadway, o ‘Dreamgirls’, interpretado por Jennifer Hudson e desde quando assisti me apaixonei pela história e pela interpretação dela. Música é de momento, vivo vários momentos e essa música fica. Eu posso dizer que essa é uma música que marcou para sempre minha vida.

PM10 – Qual é a sua refeição favorita?

MR – Me considero caseiro, sou viciado em macaxeira com charque, lasanha, empadão de frango, na verdade, sou viciado nas comidas que minha mãe faz. Mas se for para especificar um, prefiro macaxeira com charque ou cuscuz com charque.

PM10 – Qual é a sua diversão preferida?

MR – Eu sou muito brincalhão, no teatro, a gente aprende a interpretar e eu adoro imitar as pessoas, fora isso gosto muito de vôlei, praia, sou viciado em seriado, as horas vagas acabam sempre estando lotadas com as ocupações que amo de fazer.

PM10 – Sabemos que tens um currículo vasto passando por grandes bandas. Conte-nos um momento engraçado que tenhas vivido e o que você leva como experiência em cada uma delas.

MR – Toda turnê que eu monto sempre tem um momento engraçado. Tem aquela pessoa que caiu ou que entrou na hora errada no palco, mas um único pra lembrar não tem, pois já vivi tantas fazes que se eu parar para comentar vou acabar falando de muitas situações. De bailarino derrubando outro, eu mesmo já caí na época que trabalhei com Luciene Melo, e estava dançando com a Luciana, bailarina de João Pessoa, o palco cheio de glicerina e escorregando muito, acabei caindo com ela e a gente improvisando a coreografia no chão, risos… Também teve uma apresentação que inicialmente eu estava fazendo com minha irmã Marcia Karina dançando lambada, e estávamos junto com um casal esse número, então a moça caiu e minha irmã se jogou no chão e estávamos em uma apresentação no teatro pra umas crianças especiais e quando elas estavam no chão eles começaram a aplaudir e fiquei ainda mais animado com tamanha reação, posso dizer que isso me marcou muito.

PM10 – De onde vem tanta inspiração na hora de interpretar uma coreografia dançada e até mesmo quando vais montar? Você se espelha em alguém?

MR – Nesse meio tempo, eu estudei vários ritmos, inclusive também fiz teatro e aprendi muito a interpretar. Hoje em dia quando eu monto uma coreografia é perceptível para alguns e outros não, mas todas as coreografias tem história e com a interpretação trazida do teatro me ajuda a levar ao palco tanto coreograficamente como usando expressão corporal.

PM10 – Com certeza tens uma vida bem atarefada, viajando muito, como fazes para se dividir entre a família, amigos e o trabalho?

MR – Ih, eu fico meio que maluco porque, meus amigos, a maioria são artistas também e a gente quase não se encontra. Em relação à família, teve um tempo que passei mais de ano sem ver minha mãe e meu pai e cheguei à conclusão de que eu ia morar perto dela, que viajaria, faria o trabalho e ao terminar volto para o aconchego dela. Eu tenho um apartamento próximo à casa da minha mãe e procuro sempre ir lá resgatar o amor, pois nada compra isso.

PM10 – Quanto tempo você já tem de carreira?

MR – Sabe que eu não sei… risos… Eu comecei tão novo, que se for juntar o amador com o profissional, vai dar mais de 20 anos. Mais profissionalmente mesmo, vai dar um pouco mais de 15 anos contando desde que comecei a dar aulas até entrar em Walkyria Santos e continuar a profissão.

PM10 – Danças outros ritmos além do forró?

MR – Danço. Eu sou uma pessoa, altamente inquieta, o que eu não sei eu corro atrás. Fiz balé clássico, jazz, zook, gafieira, balé contemporâneo, quando morei em Salvador fiz umas técnicas novas de aula, ginástica olímpica e capoeira que não deixa de ser uma dança. Fiz muita coisa, por curiosidade e por amar mesmo a dança, eu achava que se fosse fazer o clássico não ia estar feliz, então puxei para o jazz, já sabia dança de rua, era autodidata na lambada, mas me profissionalizei com o zook que é uma lambada francesa e assim foi surgindo o interesse em fazer outros ritmos.

PM10 – Fazes algo paralelo à dança ou dedicas seu tempo a esta arte?

 MR – Eu comecei a trabalhar com dança e teatro então lembrei dos musicais que parecia muito isso e por essa razão quando eu monto uma coreografia penso nela interpretada de tal forma, com o tipo de figurino, pois, gosto de fazer momentos. Além da dança, sou figurinista, arte cesigner, designer gráfico e faço fotografias, mas este lado vejo mais como lazer. Me interessei tanto pela dança que deixei essas outras aptidões para fazer nas horas vagas. Arisquei a fazer edição e fiz a de um DVD completo e acabou surgindo umas parcerias com produtoras.

 PM10 – Quando estavas começando sua carreira, imaginou que um dia poderias se tornar referência ou fonte de inspiração na dança como hoje és?

MR – Não, pois eu não sou muito de pensar na frente. Como eu falei, sou muito teimoso e curioso, sempre quero aprender e buscar coisas novas e quando eu via uma árvore, eu já imaginava vários outros galhos, mas não imaginava ser o que sou, onde eu cheguei, mas eu sabia que tinha possibilidade de ser alguém no meio por eu ver muitas pessoas que estavam ao meu lado tendo o mesmo caminho, a mesma estrada e estavam apenas andando com passos pequenos, não estavam buscando crescer.

PM10 – Você se sente uma pessoa realizada, que já conseguiu tudo o que almejava ou ainda tem algo que falta conquistar?

 MR – Eu já tive muitos momentos de felicidade e de realizações. Quando a gente é bailarino e escolhe trabalhar com dança, somos meio que discriminados, principalmente homem. Hoje eu posso dizer que tenho o respeito de muitos que um dia quis ter. Eu não tenho como falar que me sinto realizado, pois a vida ainda não acabou e também não penso no amanhã, eu vivo o hoje e quero fazer o melhor no hoje se manhã o resultado for maravilhoso, foi consequência do suor a mais que dei.

PM10 – Na mídia sempre encontramos pessoas que querem passar por cima de outros a qualquer custo, como você lida com essas pessoas?

MR – Já passei por várias situações assim e fui muito feliz ao final disso, porque acabei sendo meio que um psicólogo. Eu sempre tratei todos os bailarinos que trabalhei como filho, ou seja, eu tenho uma legião de filhos e muitos me chamam de pai. Se eu vejo que um está querendo passar por cima do outro, eu chamo, converso, não precisa disso que tem espaço para todo mundo, que não pare de estudar, eu cuido mesmo como filho, me preocupo. Quando percebo que eles não estão interessados na dança, sou um dos primeiros que pergunta qual o motivo de estar ali, mas se vejo que quer crescer, incentivo ainda mais a estudar a dança. Muita gente tem mania de falar, dança não leva a nada, dança não vai te fazer chegar a lugar nenhum. Depende, se você apenas dançar realmente… Todo mundo tem seu limite, eu não vou ser vovô dançando, risos… Por isso que faço várias outras coisas, mas tudo ligado à arte que é onde eu me sinto bem, vivo isso.

PM10 – Como profissional da dança, o que você acha do atual cenário do nosso forró, onde só às mulheres tem vez e o espaço para os homens está cada vez menor?

MR – O meio musical é feito de fases, seja no sertanejo, forró, axé e tantos ritmos que passam por isso. Acho que isso acontece em todo segmento e na dança não seria diferente e o que está em alta hoje são bandas com mulheres, mas para a minha felicidade é ver muitas bandas que permanecem seguindo suas raízes e com os homens compondo o balé e aquelas bandas que não tinham personalidade puxou para o lado de ter só mulher, quando chegou Aviões, Garota Safada… Eu não critico, é a proposta deles, como o grupo ‘É o Tchan’ tinha o Jacaré e hoje em dia só tem mulheres, é a proposta que estão apostando e cada um tem que buscar o melhor pra si. Quando eu vou montar o show, o dono da banda pergunta o que eu acho, de quantos casais precisarei, eu pergunto qual a proposta do show e dependendo do planejamento é que monto e não critico. Entre os bailarinos fica o comentário e chateação ao ver que os homens foram retirados, mas as pessoas que no inicio se esforçaram, e corriam e aprendiam mais, todas elas estão empregadas porque se destacavam.

PM10 – Que conselho você daria a alguém que está começando a dançar e que inclusive pode até se espelhar em você?

MR – Primeiramente eu falo que não deixem de estudar, tanto na escola ou a própria dança e que não se apegue a um único ritmo. Muita gente tem aquela mania de dizer, eu danço melhor esse ritmo, então só vou aprender ele, eu não sou assim. Se eu danço melhor um ritmo, eu quero aprender outro que eu ainda não saiba. O conselho que eu dou, é que não se limite, tente quebrar seu limite a cada dia, que você vai acabar se destacando naturalmente e sem precisar passar por cima de ninguém.

PM10 – Cite uma frase que demonstre uma vitória sua?

MR – Tem uma frase que eu li à alguns anos , não lembro o autor, mas nunca esqueci, “Espera as nuvens se formarem, que a chuva cairá”, então não importa o que aconteça, se estais com um problema  ou com dificuldade em alguma situação… Espere as nuvens se formarem, a chuva vai cair e vai acontecer o que você quer, tenha paciência.

PM10 – Deixe uma mensagem para seus fãs, admiradores da sua arte.

MR – Quero agradecer muito, eu sou uma pessoa completamente realizada em relação ao meu público. Geralmente, quem trabalha em uma banda, os fãs são daquela banda e quando você sai da banda, é esquecido. E desde o inicio do meu trabalho, muita gente me acompanhou. Hoje eu tenho fãs inclusive da época que dancei no Babado Novo, o pessoal ainda chega dizendo que lembra, pede pra tirar foto, tem gente que vai ao show e fala o relatório da minha vida inteira e eu fico muito feliz e mais uma vez quero agradecer o carinho que recebo, inclusive você (Elayne Diniz), é uma das pessoas que me conheceu no inicio e perto ou mesmo distante, sempre estava ali comigo me dando força, no momento que eu estava triste, você foi uma das pessoas que falava “Tenha calma, você está fazendo certo” e eu compartilhava muita coisa da minha vida com você que virou uma grande amiga. Sou muito grato ao meu publico, tanto da Calcinha Preta, da Gatinha Manhosa, Garota Safada, Walkyria Santos, Luciene Melo, Aduílio Mendes, Babado Novo, todos lugares que já passei. As pessoas que dividiram sala de aula e as fizeram aula comigo e a todos que ainda me acompanham, só tenho a agradecer. Hoje eu estou na Banda Magníficos e no Forró dos Balas coreografando o show e tem publico da Magníficos que tenho encontrado por onde passo que são pessoas que acompanham meu trabalho desde de Walkyria a anos atrás e quando me veem, abraçam e matam a saudade, então é esse carinho que é gratificante.


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